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domingo, 16 de janeiro de 2011

As Cataratas do Niágara: Fascinio ,Glória e morte.

Sobre as Cataratas

As Cataratas do Niágara ficam no Rio Niágara, entre o Canadá e New York. As águas vindas de quatro dos Grandes Lagos vão para o Rio Niágara e escoam para o Grande Lago, o Lago Ontário. Apesar da localização original das Cataratas do Niágara ser atualmente em Lewiston, New York, ela tem se deslocado em direção sul para a sua localização atual devido à erosão. As Cataratas diminuem aproximadamente 122 a 152 cm por ano.

Visão geral das Cataratas do Niágara




Panorama das Cataratas do Niágara à noite.


As Cataratas do Niágara não são uma queda d'água, mas sim três. O Rio Niágara vem do Lago Erie e é dividido pela Ilha Goat. Ali, parte dela flui para as Cataratas Canadenses, que têm formato de ferradura (chamadas de Cataratas da Ferradura) e o restante flui para as Cataratas Americanas. Nas Cataratas Americanas o rio também é dividido por uma segunda pequena ilha, a Ilha Luna, criando a terceira (e menor) catarata, conhecida como Véu de Noiva.  






Foto cedida NARA
Cataratas Canadenses (de Ferradura)








Foto cedida NARA
Cataratas Americanas


A queda vertical da água para o fundo, no lago Maid of the Mist, varia dependendo da quantidade de água que está sendo desviada para a hidrelética na parte de cima das Cataratas. As Cataratas Americanas são um pouco mais altas do que as de Ferradura, mas têm muito menos água. Estima-se que 10% da água do Rio Niágara vão para as Cataratas Americanas, enquanto 90% vão para as Cataratas Canadenses (de Ferradura).








As Cataratas Americanas têm aproximadamente 253 metros de largura e 55 metros de queda vertical. O Véu de Noiva, que fica logo à direita das Cataratas Americanas, é a menor das três Cataratas, com aproximadamente 17 metros de largura e uma queda vertical de 24 metros que continua caindo como uma cascata pelas pedras até o Lago Maid of the Mist que fica 31 metros abaixo. As Cataratas de Ferradura, no lado Canadense, têm o maior volume d'água e uma queda vertical de 52 metros até o nível da água, mais 55 metros até a base das Cataratas.


Descendo

Imagine a velocidade que você atingiria após atravessar as correntezas do Rio Niágara e então mergulhar nas Cataratas. Agora imagine a força de 2.271.247 litros de água por segundo caindo em cima de você, isso sem falar nas pedras contra as quais você se debate sob toda aquela água. As descrições das pessoas que já passaram por essa experiência dão uma noção do absoluto terror que é isso: "é como saltar em queda livre sem pára-quedas". Mas, é claro que o problema não é a queda e sim a "aterrisagem".

Perigo
Em primeiro lugar, tem o perigo que você enfrenta dentro do próprio barril (se você usar um). Quando você ultrapassa os 50 metros das Cataratas de Ferradura, ainda há mais 55 metros até o lago Maid of the Mist. As forças que podem fazer você se debater dentro do barril são muito fortes e o risco de contusões devido à aceleração e desaceleração da correnteza é extremamente alto.
Também há o perigo de bater nas pedras e ter o barril destruído. Se isto acontecer, você não terá proteção e poderá se afogar ou se debater nas pedras até morrer, tendo o perigo de ser "sugado" para trás da cortina de água e ficar sem ar antes de ser resgatado.
É claro que existem outros perigos e muitos dependem do tipo de embarcação que você está usando...


Teorias para a sobrevivência

Todas as pessoas que tentaram descer, aventuraram-se nas Cataratas de Ferradura em vez das Cataratas Americanas (que têm mais pedras). Dá pra ver o porquê ao comparar as fotos abaixo: observe as pedras na base das Cataratas Americanas.






Foto cedida NARA
Cataratas Canadenses (de Ferradura)







Foto cedida NARA
Cataratas Americanas


Mesmo assim, a força da água e as pedras na base das Cataratas Canadenses (de Ferradura) não são moleza. Uma teoria recente do porquê alguns desafiantes do Niágara sobrevivem e outros não é dada por Paul Gromosiak, um historiador das Cataratas do Niágara. Ele tem a teoria dos "cones d'água": pressão da água que forma um tipo de "bolha" que amortece a queda. Outra teoria é dada por Joseph Atkinson, professor do Departamento de Engenharia Civil, Estrutural e Ambiental da Universidade de Búfalo. Atkinson acha que é mais provável, pelo menos no caso do sobrevivente mais recente, Kirk Jones (falaremos sobre ele mais adiante), que os sobreviventes simplesmente passeiam nas águas como um body surfista. Ele compara descer as Cataratas com a descida de uma ladeira, e não a um encontro com uma superfície plana.
Outros teorizaram que entrar na água no local certo (normalmente perto da borda) e descer pela beira até o lugar certo também é a chave, juntamente com um bom amortecimento para absorver o impacto da sua embarcação.



Os corajosos





Até 2004, 16 corajosos aventureiros fizeram viagens documentadas nas Cataratas do Niágara. Onze deles sobreviveram. Psicólogos que estudaram corajosos do sexo masculino dizem que eles têm altos níveis de testosterona, mas níveis menores de uma substância que regula o prazer e a excitação. Basicamente, portanto, eles têm uma bioquímica um pouco diferente que os fazem precisar de um maior nível de excitação do que as pessoas menos inclinadas a procurar por situações perigosas. Muitos dos corajosos das Cataratas foram descritos por seus amigos como pessoas que não têm medo de nada.
Como a atração pelas Cataratas aumentou, a aplicação da lei começou a tentar evitar que as pessoas arriscassem a realizar essa proeza. Existe agora uma lei que proíbe descer as Cataratas, chamada de "descer sem permissão." A multa é de US$10 mil, porém esta lei não parou muitas dessas pessoas. Nas seções seguintes você verá suas histórias.

 

Annie Edson Taylor, 1901

Annie Edson Taylor (1838–1921)
A primeira pessoa a descer as Cataratas do Niágara num barril foi Annie Edson Taylor. Ela era uma viúva, professora aposentada de 63 anos, de Bay City, Michigan, que dizia ter apenas 43 anos. O ano era 1901 e ela pensou que descer as Cataratas do Niágara seria a forma de ganhar fama e dinheiro. Ela projetou um barril impermeável (na verdade um barril de salmora modificado) e contratou um agente para tornar o evento público. No dia do seu aniversário, 24 de outubro, ela entrou no barril com seu gato e desceu as Cataratas com vários repórteres e turistas assistindo a tudo. Ela comprimiu o ar no barril para 30 psi com uma bomba de bicicleta, amarrou-se entre travesseiros e usou uma bigorna para se equilibrar. Annie sobreviveu ao mergulho.

Ela foi retirada de seu barril 17 minutos após ter descido as Cataratas. Tirando o estado de choque e um corte na cabeça, ela estava bem, mas sua fama durou pouco. Ela ganhou dinheiro posando para fotos com seu barril e os esforços de seu agente para convencê-la a aparecer em eventos que ela não achava adequados sempre foram em vão. A idéia dela era viajar pelo país falando sobre sua corajosa aventura, mas isto nunca aconteceu. Conhecida como "A Heroína das Cataratas do Niágara", ela morreu 20 anos depois, sem dinheiro, na Enfermaria Municipal do Condado de Niágara em, Lockport, NY.


 

Bobby Leach, 1911

bobbie leach - Strange Deaths
Em 25 de julho de 1911, Bobby Leach tornou-se o primeiro homem a descer as Cataratas. Ele era um dublê de circo de Cornwell, Inglaterra e dizia que seria o primeiro a enfrentar um "desafio triplo": viajar de barril pelas correntezas de um redemoinho, saltar de pára-quedas da ponte Upper Suspension para a corrente do rio e descer as Cataratas num barril.

Ele completou os dois primeiros desafios em 1908 e 1910. Então, na tarde de 25 de julho de 1911, Bobby Leach entrou em seu barril de aço de 2,4 metros, na Ilha Navy. Esta é uma seção na qual a corrente do Rio Niágara se dirige para as Cataratas Canadenses. Ele levou 18 minutos para chegar às Cataratas e outros 22 minutos para alguém socorrê-lo, uma vez que ele caiu na base, onde o barril ficou preso nas pedras. Ele sobreviveu, mas quebrou o maxilar e as duas rótulas e ficou os seis meses seguintes no hospital.
Bobby saiu do hospital e passou a viajar pelo mundo com o seu barril. Em 1926 na Nova Zelândia, ele escorregou numa casca de laranja e fraturou a perna, que infeccionou e foi amputada. Bobby Leach morreu devido a complicações dois meses depois.



 

Charles Stevens, 1920

O próximo corajoso a desafiar as Cataratas do Niágara foi Charles Stevens. Ele também era inglês e dublê. Charles era um barbeiro que mergulhava e saltava de pára-quedas e era conhecido como "O barbeiro-demônio de Bristol".
Barril de Charles Stephens sendo rebocado por lancha 11 de julho de 1920 (image / jpeg)
Barril de Charles Stephens sendo rebocado por lancha 11 julho 1920
Ele foi para as Cataratas do Niágara em 1920 para descê-las em um barril russo, muito pesado, feito de carvalho. Bobby Leach e Sr. William Hill, um homem local que havia resgatado muitas pessoas das águas turbulentas do Niágara, tentaram convencer Charles de que testasse o barril antes, mas ele se recusou. Sua teimosia causou sua morte.
Diagrammatic view of the barrel used by Charles Stephens July 11 1920 (image/jpeg)
Diagrama interno do barril usado por Charles Stephens July 11 1920
Ele tornou-se a terceira pessoa a descer as Cataratas de barril e a primeira a morrer. O seu barril era grande e pesado, com tiras para seus braços. Ele amarrou uma bigorna nos pés para ter equilíbrio, colocou os braços nas tiras e, relutantemente, concordou em levar um pequeno tanque de oxigênio. Quando o barril atingiu a água na base das Cataratas, a bigorna quebrou o fundo do barril levando Charles com ela. Tudo o que se conseguiu recuperar foi seu braço direito ainda amarrado nas tiras.

 

George Stathakis, 1930

George Stathakis era um chef que vivia em Nova York. Ele veio às Cataratas do Niágara em 1930 com a idéia de ficar famoso e ganhar dinheiro o bastante para publicar seus livros sobre experiências metafísicas. Stathakis sempre remava no Rio Niágara, chegando cada vez mais perto das Cataratas a cada viagem e, de acordo com os arquivos, falava sobre as Cataratas em termos místicos. Após estudar as façanhas de Charles Stephens e Jean Lussier, George decidiu ir com um barril mais pesado (apesar de Stephen ter morrido com um barril pesado). George e seus amigos construíram o barril, que ficou com 907 kg de enorme força.
No dia da sua jornada, Stathakis trouxe sua tartaruga de estimação, Sonny Boy, que tinha mais de 100 anos, como um amuleto de boa sorte (e para contar a história no caso dele não sobreviver). Infelizmente o barril ficou preso atrás da cortina d'água e não pôde ser removido durante 18 horas. Embora acredite-se que ele tenha sobrevivido ao mergulho, ele só tinha ar suficiente para três a oito horas e acabou morrendo. Sonny Boy (a tartaruga) sobreviveu, mas nunca falou muito sobre o assunto.

O caixão de George Stathakis (image / jpeg)
O caixão de George Stathakis

Stathakis barril pela manhã depois de sua viagem fatal 5 de julho de 1930

Stathakis barril pela manhã depois de sua viagem fatal 5 de julho de 1930 (image / jpeg)
Stathakis barril pela manhã depois de sua viagem fatal 5 de julho de 1930

George Stathakis Barrel at the Crest of the Horseshoe Falls - 1930 (image/jpeg)
George Stathakis e seu tambor na crista da Horseshoe Falls - 1930


 

Robert Overacker, 1995

A última foto de Robert Overacker vivo nas Cataratas
Talvez as pessoas não ouçam o noticiário ou, se ouvem, não acreditam no que ouviram. Em 1995, cinco anos após Jesse Sharp morrer descendo as Cataratas num caiaque, Robert Overacker decidiu tentar o mesmo num jet ski. Ele tinha 39 anos e era formado numa escola da Califórnia que fornecia carros para a Ventura Raceway. Ele também vendia carros ingleses clássicos. Amigos disseram que ele planejou a proeza durante sete anos. Sua razão para isso? Chamar atenção para os desabrigados. Seu jet ski estava decorado com adesivos que diziam "Salvem os desabrigados". Seu plano parecia simples: ele tinha um pára-quedas com impulsão amarrado nas suas costas, que poderia ser ativado assim que ele chegasse na beirada das Cataratas. Ele abandonaria o jet ski e flutuaria com segurança para o Lago Maid of the Mist.
Mas o pára-quedas não funcionou e Robert caiu os 55 metros água abaixo. A polícia que estava lá no momento disse que bater na água daquela forma seria como bater em cimento. Seu corpo foi resgatado por trabalhadores do barco de turismo de Maid of the Mist.

 

Jesse W. Sharp, 1990

Jesse Sharp descendo para a morte
O caiaque vermelho de Sharp foi encontrado na parte canadense das Cataratas de Ferradura com apenas um pequeno amassado
Em 1990, Jesse Sharp de Ocoee, Tennessee, tinha 28 anos, estava desempregado e era ótimo com caiaques. Ele tinha treinado "navegar" em Cataratas nas Montanhas Smokey e queria ter uma carreira. Aparentemente descer as Cataratas do Niágara no seu caiaque de 3,6 metros seria o caminho para chegar lá (as correntezas do Niágara são consideradas de classe VI). Ele tinha tentado fazer isto dez anos antes, mas seus pais chamaram a polícia, que o impediu.
Desta vez, isto não aconteceu. Ele trouxe três pessoas para gravar seu feito e não quis usar capacete porque seu rosto não apareceria na fita. Ele também não usou um salva-vidas, achando que isto dificultaria sua saída do caiaque no caso dele ficar preso sob as Cataratas. Ele tinha até reservas para o jantar depois da descida, pois seu plano era de continuar navegando as correntezas do Niágara após sua bem sucedida descida das Cataratas. Seu corpo nunca foi encontrado.



 

Kirk Jones, 2003

A viagem mais recente (até a produção deste artigo) e provavelmente a mais chocante pelas Cataratas aconteceu em 3 de outubro de 2003. Os planos de Kirk Jones não envolviam um barril, nem mesmo um salva-vidas. Ele simplesmente escalou a barreira e entrou no rio com suas roupas. Ele flutuou de costas e desceu sem nenhuma forma de proteção.
Kirk Jones below Niagara Falls

Milagrosamente ele sobreviveu, sem ferimentos, a não ser por algumas costelas machucadas. Ele disse que foi como estar "num túnel gigante, em queda livre, cercado por água".
Existem pessoas que acreditam que Jones estava deprimido e que pulou com a intenção de se suicidar. Outras pessoas dizem que Kirk havia falado sobre descer as Cataratas durante anos, dizendo que ele achava que havia um ponto pelo qual você pudesse descer e sobreviver. Jones nunca esclareceu os rumores.
Algumas testemunhas dizem que após descer as Cataratas ele nadou em direção a algumas pedras (rejeitando uma oferta de ajuda de um barco de turistas) e escalou até sair do Niágara sozinho.
Após sua proeza, um circo do Texas ofereceu a Kirk Jones um emprego como "o maior dublê do mundo", e ele ficou rico falando sobre a sua triunfante viagem pelas Cataratas do Niágara com apenas as roupas do corpo.




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As cataratas na cultura popular

Foto de um noticiário americano de 1879. Dois homens que navegavam na parte superior do rio perderam o controle de seu bote na forte correnteza do rio Niágara. Um deles foi levado imediatamente em direção às quedas, enquanto o outro ficou à deriva por 18 horas entre duas pedras antes de sucumbir à força da correnteza. Ambos morreram.

Em outubro de 1829, Sam Patch, que autonomeava-se The Yankee Leaper (O Pulador Yankee) pulou as quedas canadenses, tornando-se a primeira pessoa conhecida a sobreviver a tal queda. Isto iniciou uma longa corrida entre pessoas buscando fama nacional, tentando novos feitos nas Cataratas do Niágara. Em 1901, Annie Taylor, uma mulher de 63 anos de idade, tornou-se a primeira pessoa a cair nas Cataratas do Niágara dentro de um barril, e sair do barril sem ferimentos. Após Taylor, 14 outras pessoas caíram nas Cataratas do Niágara dentro de certos equipamentos como barris e afins. Alguns deles sobreviveram sem ferimentos, enquanto outros tiveram menos sorte e afogaram-se ou sofreram sérios ferimentos. Os sobreviventes de tais feitos podem ser condenados a passar um tempo na prisão, bem como multas pesadas, uma vez que é ilegal a tentativa de cair nas Cataratas do Niágara. O mágico David Copperfield tornou-se a última pessoa a entrar nesta lista, caindo as quedas canadenses em 1990 - embora muitos digam que isto não tenha passado de um truque de mágica feito por Copperfield.

Outras pessoas cruzaram - ou tentaram cruzar - as Cataratas do Niágara. Isto começou com a passagem bem-sucedida do funambulista Jean François "Blondin" Gravelet, em 1859. Desde então, vários outros funambulistas atraíram um grande número de pessoas. Em 1883, o inglês Matthew Webb, a primeira pessoa a cruzar o Canal da Mancha, afogou-se em 1883 após ter tentado sem sucesso cruzar através dos redemoinhos e da correnteza após as quedas.

No "Milagre no Niágara", Roger Woodward, um menino norte-americano de sete anos de idade foi engolido pelas quedas Horseshoe, protegido apenas por um colete salva-vidas, em 9 de julho de 1960, enquanto que sua irmã Deanne, de 17 anos de idade, foi salva por turistas a apenas 6 metros das quedas.[7] Minutos depois, Woodward foi salvo na base das quedas quando membros do Maid of the Mist lançaram um bóia salva-vidas em sua direção.[8][9]
Então já uma atração turística famosa no Canadá e nos Estados Unidos, as visitas às Cataratas do Niágara subiram drasticamente em 1953, após o lançamento do filme Niágara, cuja principal estrela era Marilyn Monroe. Posteriomente, as cataratas apareceram no filme Superman II, bem como serviu de tema para um filme IMAX, que tornou-se popular na região. As Cataratas do Niágara são visitadas anualmente por 14 milhões de pessoas, a grande maioria deles americanos e canadenses, embora um número expressivo sejam turistas internacionais.



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