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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CSI da Vida Real: A Fazenda de Corpos

Em fevereiro de 2008, depois de meses de busca, investigadores encontraram o corpo de John Bryant - um homem de 80 anos que estava desaparecido. Um suspeito já estava na prisão, mas definir quando Bryant morreu era um dado crucial para o caso. A resposta poderia ser encontrada a partir de dados localizados em um dos centros de pesquisa mais horríveis: A fazenda de corpos.


Vista da Floresta Nacional de Pisgah no Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte. Este tranqüilo cenário tornou-se cena  de um crime quando John e Irene Bryant desapareceram depois de uma caminhada.
Jerry Whaley © iStockphoto.com
Floresta Nacional de Pisgah, na Carolina do Norte. Este tranquilo cenário tornou-se cena de um crime quando John e Irene Bryant desapareceram depois de uma caminhada.

O corpo de John Bryant foi localizado na Floresta Nacional de Nantahala, na Carolina do Norte (em inglês), onde caçadores normalmente jogam carcaças de animais. A mistura de ossos dos bichos com restos humanos complicou a investigação. Assim a polícia recorreu a dois especialistas em antropologia forense - ambos professores da Universidade Western Carolina - que ajudaram a localizar, recolher e datar os restos mortais do idoso. Isto ajudou a unir provas para a investigação contra o assassino.

Os antropólogos forenses podem datar restos mortais observando a atividade dos insetos sobre o corpo em decomposição, mas se já se descompôs até o esqueleto, o trabalho fica bem mais difícil. É aí que a pesquisa da fazenda de corpos começa. Elas têm ensinado os cientistas a estudar o terreno em torno dos restos mortais em busca de provas - a acidez no solo pode indicar há quanto tempo o corpo tem liberado fluidos na terra. Além disto, os especialistas passaram a prestar atenção aos efeitos do tempo e do ambiente. Os cientistas consideram o efeito do processo de putrefação sob o sol quente e árido e também como um corpo em decomposição pode ser dilacerado por animais em busca de alimento. Se os ossos maiores estiverem espalhados, é seguro assumir que o corpo está no local por um período longo (os animais carregam os ossos pequenos primeiro).




A Western Carolina é uma das três únicas universidades nos Estados Unidos que defende o mérito de permitir a decomposição de corpos humanos naquilo que seria somente um adorável campus universitário. Além da fazenda de corpos na WCU, há também fazendas na Universidade do Tennessee (em inglês)-Knoxville e na Universidade do Texas (em inglês)-San Marcos. Neste artigo, você vai saber tudo sobre fazendas de corpos e seu papel na educação e investigação. Mas, antes entenda o que acontece com o corpo quando a pessoa morre.

Morte humana e decomposição
A fim de compreender como as fazendas de corpos funcionam, é interessante saber alguns dados básicos sobre a morte humana e a decomposição. Embora soe bastante macabro, é perfeitamente normal que o corpo passe por diversas mudanças radicais quando a pessoa morre.




Para começar, quando o coração pára de bater, as células do corpo e os tecidos param de receber oxigênio. As células cerebrais são as primeiras a morrer - normalmente em três a sete minutos (fonte: Macnair). Ossos e células da pele, no entanto, sobrevivem por diversos dias. O sangue começa a ser drenado dos vasos sanguíneos para as partes inferiores do corpo, criando assim uma aparência pálida em alguns lugares e uma aparência mais escura em outros.


Três horas após a morte, começa o rigor mortis, que é o endurecimento dos músculos. Após 12 horas, o corpo esfria e dentro de 24 horas (dependendo da gordura corporal e das temperaturas externas) perde todo o calor interno em um processo chamado algor mortis. Depois de 36 horas, o tecido corporal começa a perder sua rigidez e, dentro de 72 horas, a rigidez cadavérica diminui.

 
Conforme as células morrem, as bactérias dentro do corpo começam a desintegrá-lo. Enzimas no pâncreas fazem com que o órgão se dissolva sozinho. O corpo logo assume uma aparência horrível e começa a cheirar mal. Tecidos em decomposição liberam uma substância esverdeada e gases como metano e sulfeto de hidrogênio. Os pulmões expelem um fluído pela boca e pelo nariz.

Insetos e animais certamente percebem tais sinais. O corpo humano oferece alimento e é um ótimo lugar para depositarem seus ovos. Uma mosca pode se alimentar bem com um cadáver e depois liberar até 300 ovos sobre ele, gerando cria em um dia.



Os gusanos - larvas que nascem destes ovos - são extremamente eficientes e carnívoros. Começando pela parte externa do corpo onde nascem as larvas usam ganchos na boca para sugar os fluídos que escorrem do cadáver. Depois de um dia, as larvas entram no segundo estágio de sua vida, cavando para dentro do cadáver.

Movendo-se em grupo, as larvas se alimentam de carne em putrefação e soltam enzimas que ajudam a tornar o corpo em uma substância pegajosa. O mecanismo de respiração se localiza na extremidade oposta da sua boca, permitindo que coma e respire simultaneamente sem interrupção de tempo. Uma larva em sua fase inicial apresenta 2 milímetros de comprimento, mas quando atinge o terceiro estágio e deixa o corpo como prepupa, pode chegar a 20 milímetros - 10 vezes seu tamanho inicial. Larvas podem consumir mais de 60% do corpo humano em menos de sete dias (fonte: Australian Museum).

O ambiente no qual o corpo está também afeta seu índice de decomposição. Por exemplo, corpos na água se decompõem duas vezes mais rápido do que aqueles enterrados no solo. Esse processo é mais lento embaixo da terra, especialmente se o corpo estiver em terreno argiloso ou protegido por outra substância sólida que impeça o ar de chegar, uma vez que a maioria das bactérias necessita de oxigênio para sobreviver.










As unhas e cabelos crescem após a morte?
Acreditava-se que as unhas e cabelos do cadáver continuavam a crescer. Para o observador casual, poderia até parecer verdade. No entanto, este efeito visual acontece em função do encolhimento da pele, couro cabeludo e cutículas.



Agora que sabemos sobre a decomposição humana, vamos analisar um grupo de pessoas cujo local de trabalho está repleto de situações do gênero: antropólogos forenses.










life cycle of fly

Antropólogos forenses

Dependendo da profundidade que o caixão for enterrado, o corpo pode ficar completamente livre de tecidos e carne dentro de 40 a 50 anos. Cadáveres desprotegidos se decompõem até o estágio do esqueleto muito antes disso. No entanto, pode levar centenas de anos para os ossos se decomporem totalmente.

Antropologistas forenses auxiliam a polícia para desvendar crimes cujos corpos estejam enterrados ou em avançado estado de decomposição.

Embora muitos corpos tenham sido descobertos antes de virarem pó, normalmente um tempo suficiente - dias ou muitos anos - já se passaram, impossibilitando identificar visualmente um individuo encontrado em circunstâncias misteriosas. A pele, o músculo e outros tecidos podem ter se decomposto ou podem ter sido ingeridos por animais selvagens. O que é mais provável que se conserve é o esqueleto. É nele que as respostas normalmente são encontradas.

Antropologia forense
é o estudo e a análise de restos mortais humanos com o objetivo de ajudar em investigações criminais. Esses especialistas fornecem informações sobre a origem e a identidade de um corpo, bem como a forma e o momento da morte. A área forense tem diversos segmentos - desde entomologia forense (estudo de evidências de insetos) à odontologia  (análise de provas dentárias [em inglês]). Um antropólogo forense pode consultar um odontologista, por exemplo, para determinar com maior precisão a idade média de um esqueleto humano.
 


Centro de pesquisa da fazenda de corpos


A primeira fazenda de corpos (oficialmente conhecida como Centro de Antropologia Forense da Universidade do Tennessee [em inglês]) foi inaugurada pelo Dr. William Bass em 1971. Bass reconheceu a necessidade de pesquisar a decomposição humana depois que a polícia, repetidamente, pediu sua ajuda para analisar corpos em investigações criminais. O que começou como uma pequena área com apenas um corpo evoluiu para um complexo de 12.000 metros quadrados com os restos mortais de 40 pessoas. A instalação ficou conhecida (e ganhou seu apelido) depois de ter inspirado o romance de Patricia Cornwell de 1995, "The Body Farm" (A fazenda de corpos).







skeleton in grass
iStockphoto/ranplett
Em fazendas de corpos, os cadáveres são posicionados em determinados locais para que possam se decompor. Estudantes de antropologia forense estudam como o ambiente afeta os corpos e seus índices de
de composição.
 
De onde vêm estes corpos? Quando o Dr. Bass iniciou os trabalhos utilizava corpos de indigentes das unidades médicas de pesquisa. Posteriormente, as pessoas passaram a doar seus corpos ao centro para facilitar os estudos forenses.


Não há um padrão comum de diretrizes a serem seguidas por esses centros de estudos, além de segurança, proteção e privacidade. Até mesmo a dimensão das instalações variam. A fazenda de corpos da Universidadea Western Carolina tem cerca de 300 metros quadrados. Foi construída para manter 6 a 10 corpos por vez, enquanto a da Universidade do Tennessee possui 40 corpos em seus 12.000 metros quadrados. A fazenda de corpos no Texas é maior: a instalação na Universidade do Texas (em inglês)-San Marcos possui cerca de 20.000 metros quadrados. Cada instalação possui um foco diferenciado. A fazenda de corpos do Tennessee desenvolve um amplo estudo sobre a decomposição do corpo sob todas as condições - enterrado, a céu aberto, sob a água e até no porta-malas de carros. Já em Western Carolina se enfatiza o estudo da decomposição na região montanhosa da Carolina do Norte e do Sul. A fazenda de corpos do Texas também oferece dados específicos da região. Antropólogos forenses de estados como Novo México (em inglês) aguardam dados do Texas para que possam estudar amplamente a decomposição em climas desérticos.


Geralmente, quando o centro aceita um corpo, o mesmo é colocado em um refrigerador (similar ao encontrado em necrotério). O cadáver é identificado com um número e colocado em uma localização específica no terreno. A localização de cada corpo é cuidadosamente mapeada. Os estudantes aprendem a manter uma seqüência de evidências quando trabalham com pessoas reais. Em uma investigação criminal, é fundamental que quem vai lidar com o corpo registre a manipulação do mesmo. Desta maneira, nenhuma questão legal poderá ser levantada quanto à integridade das provas ou possíveis disparidades sob sua custódia.

Os corpos se decompõe durante muito tempo. Depois os estudantes praticam exercícios relacionados à localização, coleta e remoção de restos mortais da área. Os restos são levados ao laboratório e depois são analisados. Quando a análise é finalizada, o esqueleto pode ser devolvido à família do falecido para o funeral, caso este seja o pedido da família. Caso contrário, é provável que permaneça na coleção de esqueletos do departamento. A Universidade de T-Knoxville ostenta uma coleção de restos mortais de mais de 700 pessoas.


As fazendas de corpos podem proteger ou não os corpos em uma espécie de gaiola. Esta medida evita que os coiotes no Texas dilacerem as partes do cadáver. No centro da Carolina Ocidental, cercas de proteção são suficientes.







Corpos de alunos
Em 2006, havia mais corpos e esqueletos na universidade de T-Knoxville (cerca de 900 na coleção de ossos, sendo 700 esqueletos divididos em duas coleções e mais de 40 na própria fazenda) do que estudantes asiáticos inscritos (que somavam 673 pessoas entre alunos universitários e os já formados) (fonte: Nair).

O que os estudantes aprendem na fazenda de corpos? E como o trabalho de pesquisa ajuda em investigações criminais reais? Descubra na próxima página.

Pesquisa na fazenda de corpos

Na última página, aprendemos sobre as características básicas e as atividades de uma fazenda de corpos. Vamos ver agora o que os cientistas aprendem nesses centros de pesquisa.
Fazendas de corpos permitem que os cientistas estudem o processo natural de apodrecimento do corpo humano e como um corpo em decomposição afeta o mundo ao seu redor. Por exemplo, toda a cadeia de insetos aumenta ou diminui na presença de um cadáver. Um corpo em decomposição irá afetar a vegetação ao redor ao matar a flora do local devido a enzimas digestivas.
Conforme o corpo se decompõe, os tecidos soltam uma substância esverdeada que desperta o apetite das moscas. O corpo em putrefação pode se tornar o habitat de cerca de 300 larvas.



Antropólogos forenses podem determinar a idade, o sexo, a raça e o tipo de físico de uma pessoa olhando os ossos do cadáver. Não há, normalmente, diferenças suficientes entre gêneros em esqueletos de pré-adolescentes quando se busca identificar o sexo de uma criança. A forma mais fácil de detectar o gênero em um esqueleto adulto é simplesmente olhar para o tamanho dos ossos - em homens, os ossos e os ligamentos dos músculos são normalmente maiores. Existem muitas diferenças no osso púbico, sendo o mais óbvio deles o tamanho da cavidade pélvica (espaço interno do osso púbico). A cavidade é maior nas mulheres para ajudá-las no processo do parto.
 















Antropologistas forenses são capazes de descobrir o perfil  das vítimas apenas pela análise de seus ossos.
fanelie rosier © iStockphoto.com
Antropologistas forenses são capazes de descobrir o perfil das vítimas apenas pela análise de seus ossos
O esqueleto também oferece pistas que facilitam a identificação do sexo. O homem costuma ter a testa inclinada para trás, enquanto a de mulheres tende a ser mais arredondada. O queixo feminino normalmente é mais afilado, enquanto que o masculino costuma ter um formato mais quadrado.


Nem todos os ossos ajudam a estabelecer a idade dos restos mortais. Antropólogos forenses buscam determinados aspectos em crianças muito novas - se elas têm ou não dentes. Obviamente, isto não ajuda em casos de análises de crianças mais velhas. Ao contrário, outros aspectos devem ser verificados para identificar corpos mais velhos. As costelas podem ajudar a determinar a idade. Conforme envelhecemos, as extremidades da costela ficam mais desiguais e ásperas onde a cartilagem se liga ao esterno. Assim, quanto mais desigual ela for, mais velho é o corpo. Apesar das análises de antropologia forense, não há como determinar precisamente quantos anos a pessoa tem apenas por avaliação geral.


Para determinar a raça do falecido, antropólogos forenses buscam classificar o cadáver em um dos três grupos abrangentes a seguir: africano, asiático (em inglês) ou europeu (em inglês). Esta tarefa não é simples. A maioria das diferenças é encontrada no esqueleto. A distância entre os olhos ou o formato dos dentes ajuda a determinar a etnia, assim como aspectos genéticos mais específicos, como características humanas encontradas em certas regiões da Ásia que não são comuns a outros asiáticos. Existem atualmente mais diferenças dentro de cada grupo racial do que entre os povos de diferentes países (fonte: Ubelaker).


Quando a idade, o sexo e a etnia são identificados, estes dados - associados à medida dos ossos - podem ajudar a determinar a altura e o peso aproximados da pessoa antes da morte. Embora ofereçam uma diversidade de informações, as fazendas de corpos levantam algumas polêmicas que discutiremos na próxima página.








O corpo pesa menos depois da morte?
Em 1907, o Dr. Duncan MacDougall defendeu a idéia de que o corpo humano perde peso no momento da morte. Hoje, os cientistas são céticos quanto à metodologia de MacDougall. Alguns estudos recentes com ovelhas demonstraram que o corpo pode, na verdade, aumentar seu peso - em até meio quilo - momentaneamente após a morte. Este ganho de peso temporário também foi medido em pessoas meditando ou sonhando (fonte: Hollander).


Outras questões relacionadas à fazenda de corpos

Deixar cadáveres expostos ao tempo não é uma atividade para qualquer um. Crenças e tradições relacionadas ao sepultamento de mortos variam muito dependendo da cultura, religião e região geográfica. Os antigos egípcios promoviam cerimônias e preparativos funerários como o embalsamento, prática comum até hoje. Budistas tibetanos tendem a optar pelo funeral a céu aberto, no qual o corpo é deixado exposto para ser comido pelos urubus (em inglês). Algumas pessoas planejam ser cremadas quando morrerem, enquanto outras podem achar a idéia de destruir o corpo por meio do fogo perturbadora.














Ritual de morte Zulu, em Johannesburgo, na África do Sul
Cliff Parnell © iStockphoto.com
Ritual de morte Zulu, em Johannesburgo, na África do Sul
Alguns cidadões de San Marcos, Texas (em inglês), reclamaram quando descobriram que a Universidade do Estado do Texas planejava construir uma fazenda de corpos na proximidade. As preocupações diziam respeito ao cheiro, possível desvalorização estética e até mesmo a chance de coiotes (em inglês) deixarem partes de corpos em decomposição na cidade. Quando um novo local foi sugerido, um problema típico do estado interrompeu a construção - falcões (em inglês). Os moradores temiam que a instalação atraísse esse animais e outras aves predadoras, o que representaria um risco para os aviões que passam na região em baixa altitude devido a um aeroporto próximo. A instituição de ensino tranquilizou a população, anunciando que a fazenda de corpos seria instalada em uma propriedade de 12 quilômetros quadrados e que ficaria, no mínimo, a 1.600 metros de qualquer propriedade vizinha. O isolamento e a privacidade do local, final acalmou os moradores.
 


Um outro medo comum diz respeito à contaminação e proliferação de doenças. A faculdade encarregada de cuidar destes centros de decomposição faz tudo o que é possível para amenizar tais preocupações. As fazendas de corpos não aceitam cadáveres com doenças infecciosas. Além disto, todos que trabalham próximos aos mortos precisam tomar uma série de vacinas para prevenir hepatite, tétano e outras doenças. Na verdade, os próprios corpos evitam a difusão de doenças. Quando entram em processo de putrefação, os organismos causadores da doença também se decompõem, tornando os restos mortais inofensivos.


É preciso construir mais fazendas de corpos nos Estados Unidos, pois as pesquisas feitas nos corpos em um determinado local oferecem dados aplicáveis a outros encontrados nas mesmas condições ambientais. Embora isto não represente um problema para corpos encontrados em estados como a Geórgia (em inglês) ou Virgínia (em inglês), os efeitos da decomposição variam muito em clima desértico, como o Arizona (em inglês) ou o Novo México (em inglês). Este problema específico estimulou a criação de um centro de estudos no Texas. O ideal seria que cada estado americano tivesse ao menos uma fazenda de corpos em operação, mas isto deve levar mais alguns anos para acontecer.


Para que ela exista, é necessário que haja corpos - e o seu poderá ser um deles. Se você deseja ser um doador para um centro de antropologia forense, você deve realizar os trâmites antes de morrer. E também deve informar os membros da família ou um advogado sobre sua decisão para que a fazenda de corpos possa ser informada de sua morte. Geralmente, a universidade coleta o corpo doado depois do final do funeral. No entanto, dependendo da distância entre o local em que o cadáver está e a universidade, pode ser preciso pagar para encaminhar o corpo.


Na próxima página, vamos analisar alguns mistérios solucionados por meio de habilidades e conhecimentos adquiridos nas fazendas de corpos.



Em fazendas de corpos, os cadáveres são posicionados em determinados locais para que possam se decompor. Estudantes de antropologia forense estudam como o ambiente afeta os corpos e seus índices de
de composição.














Solucionando mistérios através de pesquisas da fazenda de corpos

O FBI tem demonstrado grande interesse no uso da antropologia para solucionar crimes. Desde 1936, a agência utiliza os laboratórios antropológicos e os especialistas do Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos. A fazenda de corpos na Universidade do Tennessee (em inglês)-Knoxville reproduz cenas de crimes ou prováveis locais de crimes, usando corpos para o treinamento e pesquisa do FBI. Essas equipes, periodicamente, executam escavações na fazenda de corpos para aprimorar suas habilidades de coletar cadáveres e identificar ossos no campo. O FBI também levantou a possibilidade de testar um radar no centro que poderia possibilitar encontrar corpos enterrados sob o concreto.

O conhecimento adquirido nas fazendas de corpos pode ser útil no mundo todo. Quando sepulturas coletivas são encontradas em locais como Kosovo, Iraque ou Ruanda, os pesquisadores podem determinar a raça e o período da morte, ajudando assim a identificar o agente responsável pelo falecimento. E também pode ajudar a determinar se as vítimas foram baleadas, espancadas ou mortas com um golpe na cabeça.




O serial killer John Wayne Gacy matou 33 homens jovens, sendo que 29 deles foram enterrados do lado de sua própria casa. Quando os investigadores descobriram os corpos, muitos dos quais estavam empilhados uns sobre os outros, recorreram aos antropólogos forenses para ajudá-los a iniciar o processo de identificação dos corpos em avançado estado de decomposição. Com a definição de altura e peso e classificação de ossos, as autoridades conseguiram relacionar tais dados às informações fornecidas por famílias ou a casos não solucionados de pessoas desaparecidas.




Durante anos, houve rumores em torno da morte de Big Bopper (o músico J.P. Richardson), que morreu em um acidente de avião com Ritchie Valens e Buddy Holly. A distância do corpo de Richardson do avião - 12 metros - levantou dúvidas se ele teria sobrevivido ao acidente, morrendo após caminhar em busca de ajuda. O filho de Richardson contatou o Dr. Bass para solucionar o mistério. Bass concordou em examinar o cadáver que seria exumado por outros motivos.


 Depois de examinar o corpo (que, após 48 anos, continuava sendo reconhecido como Big Bopper), Bass determinou que não havia a menor possibilidade de Richardson ter sobrevivido ao acidente. Praticamente todos os ossos estavam quebrados, o que sinaliza que ele deve ter sido arremessado do avião em vez de ter caminhado.


A antropologia forense também pode ajudar casos até então sem solução. Em 1933, o corpo de Dalbert Aposhian, de 7 anos, foi encontrado boiando na baia de San Diego. Depois de examinar o menino, o médico que fez a autópsia declarou que o mesmo havia sido vítima de sodomia e mutilação. Nunca ninguém foi preso pelo crime. Em setembro de 2005, o laboratório de crime do município de San Diego recebeu recursos para retomar as investigações desses tipos de casos. Depois de reexaminar os relatórios e fotos tiradas durante a investigação inicial, os médicos pesquisadores da unidade determinaram que o garoto havia simplesmente se afogado. O relatório inicial que afirmava o crime sexual e a mutilação foi, na verdade, um erro que desconsiderava como o corpo reage na água.








Fonte: aqui









 

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